17 de fev. de 2010

Saiba como funciona o Google Buzz, a nova ferramenta social do Google

Colunista comenta usos da ferramenta lançada na semana passada.

Algumas empresas conseguem monopolizar a atenção da mídia e do público com seus lançamentos. O que dizer dos eventos comandados por Steve Jobs apresentando os novos produtos da Apple? Ou Steve Ballmer nos recentes lançamentos da Microsoft?

O Google também não fica para trás. Seu lançamento mais recente é o Google Buzz, uma espécie de Twitter mesclado com Facebook, FriendFeed e Foursquare. O serviço está atrelado ao GMail, ou seja, é preciso ter uma conta de e-mail no Google para usar o Buzz.

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O Google Buzz nada mais é que uma aba dentro do GMail que carrega o novo serviço. (Foto: Reprodução)


Nem todos os usuários do GMail têm acesso ao Buzz, mas é algo que gradualmente será liberado para todos. Diferentemente do que o Google fez com o Orkut e Wave, nos quais inicialmente apenas convidados poderiam ter acesso, o Buzz não tem essa restrição.

A essência é a mesma do Twitter, a pessoa segue seus contatos e também é seguido por outras pessoas. No primeiro acesso ao serviço, ele automaticamente gera uma lista de seguidos e seguidores com base na lista de contatos do usuário. Esse recurso foi muito criticado por não permitir que o usuário escolha, em um primeiro momento, quem quer seguir ou quem ele quer que o siga – além de ser uma questão bastante controversa no que diz respeito à privacidade.

Logo na sequência do lançamento, o Google divulgou que essa regra de iniciar o serviço já com lista de seguidos e seguidores iria ser modificada, mas o impacto negativo já estava na cabeça dos primeiros usuários.

>>>> Funcionalidades básicas
>> Timeline: O Buzz tem uma linha do tempo como a do Twitter, ou seja, as mensagens deixadas pelas pessoas que o usuário segue aparecem em uma ordem cronológica, da mais atual para mais antiga.

Uma diferença básica é que as mensagens aparecem como conversas, agrupando as respostas e comentários dos outros usuários. Com isso, o Buzz permite a discussão de determinados assuntos, gerando mais interação entre os seguidores de uma determinada pessoa.

Para deixar sua mensagem, basta usar o campo específico, muito semelhante ao Twitter e ao Facebook. Existem dois níveis de personalização: mensagem pública e mensagem privada. A primeira todos podem ver, e a segunda apenas as pessoas selecionadas pelo usuário podem ver.

>> Interatividade com a rede: O Buzz se conecta a diversos serviços para fomentar o compartilhamento de links, fotos, textos e mensagens.

Os serviços disponíveis são: Picasa, Flickr, Google Reader, YouTube e Twitter. Basicamente, o Google Buzz coleta os conteúdos que o usuário gera em cada um desses serviços e envia através de mensagem para seus seguidores. O inverso não ocorre – ou seja, uma mensagem enviada pelo Buzz não vai automaticamente para o Twitter, por exemplo.

O usuário também pode compartilhar seu status no GTalk, que é uma ferramenta de bate-papo já integrada ao GMail e Orkut.

No caso do Google Reader, não são todos os feeds que são compartilhados no Buzz. Fazer isso seria uma loucura, pelo volume de informações geradas de acordo com o número de feeds cadastrados por cada usuário. Apenas as notícias e conteúdos que são compartilhados pelo usuário dentro do Reader vão para os contatos no Buzz. O mesmo ocorre com o Picasa: apenas o que é enviado como público é enviado para o Buzz.

>> Interatividade com seguidos:
Para cada mensagem dos seus seguidos você pode comentar, dizer se gostou ou não da mensagem. Esse recurso lista abaixo de cada mensagem quantas – e quais – pessoas gostaram do que leram. Também é possível enviar a mensagem por e-mail e, por fim, caso o usuário tenha ativado o GTalk, você poderá visualizar se ele está on-line e iniciar um bate-papo.
  
Reprodução/Reprodução

Uma mensagem marcada como “gostei”. É possível ver também o recurso de enviar por e-mail, comentar, e disponibilidade para bate-papo. Ao lado do nome fica a origem da mensagem, no caso veio do Google Reader. (Foto: Reprodução)

>>>> Multiplataforma
O Google Buzz está disponível também em celulares – em um primeiro momento, para aparelhos com Android (o sistema operacional para celulares do Google) e para iPhone. 

Entretanto, o Google promete disponibilizar o aplicativo móvel para os demais dispositivos. Basta acessar o endereço m.google.com/app/buzz do aparelho.

A integração com os dispositivos móveis tem como principal objetivo o uso do GPS para conectar as pessoas. É possível dizer onde está, com a posição aparecendo no Google Maps, e visualizar se algum dos contatos está próximo. 

Como o Buzz é integrado ao Google Maps, todos os recursos ligados aos mapas estão disponíveis na rede social – ou seja, é possível localizar amigos e sugerir um restaurante ou bar nas proximidades para marcar um encontro.

>>>>Minhas impressões
Minha primeira impressão do Google Buzz foi: “Esse cara vai ficar aí no meio do meu GMail?”. Não sei vocês, leitores, mas o GMail é meu programa de e-mail padrão para contas pessoais. Direciono e-mails de outras contas para ele e faço tudo dentro da ferramenta. É um ambiente que considero seguro e livre de spam, afinal o filtro antispam do Google é muito bom.

O volume de mensagens geradas pelo Buzz me assustou inicialmente, o que quase me forçou a desativar o serviço.

As integrações com serviços de conteúdo, como YouTube para vídeos, Flickr e Picasa para imagens, e Google Reader para textos faz do Buzz um compartilhador de ideias e comportamentos.

O Buzz um cenário mais favorável a discussões, pois os usuários podem, abertamente, comentar tudo aquilo que colocamos lá. Comentários podem gerar novos comentários e iniciar um debate sobre o assunto proposto.

No Twitter, existe o recurso de responder a uma mensagem, porém o sistema não organiza as respostas de forma a manter uma linha de discussão.

Também não existe limite de caracteres nas mensagens, a pessoa pode escrever o quanto quiser. O sistema limita a exibição colocando um link de “leia mais”. 

Diferente do Google Wave, que poucos entenderam para o que é, e menos pessoas ainda tiveram acesso à ferramenta, o Google Buzz ficou fácil de entender e – acredito eu – que o volume de pessoas usando será bem maior.

Acredito que o grande empecilho para o Google Buzz entrar na moda seja justamente o fato de estar integrado ao GMail. O serviço de e-mail do Google é muito bom, porém não é o líder de mercado – perde para o Hotmail e Yahoo Mail. Pode ser que o Buzz seja um fator que ajude a aumentar a participação de mercado do GMail.

E você, leitor, conhecia o Buzz? O que achou dele? Tem dúvidas sobre tecnologia ou internet? Não perca tempo e deixe agora seu comentário abaixo. 

* Fernando Panissi é especialista em tecnologia e internet, formado em Sistemas de Informação com extensão em gestão. É professor universitário e ministra cursos de extensão em desenvolvimento de sistemas. Vive a internet e suas excentricidades desde 1995 e, nesta coluna, irá compartilhar suas experiências e conhecimentos sobre os mais variados temas ligados à internet, computação e tecnologia.

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