Imagine 4.500 jovens acampando juntos. Agora risque algumas das palavras que apareceram automaticamente na sua cabeça, como "sexo", "bebidas" e "balada". Apesar de os participantes da Campus Party estarem "in loco", a interação rola principalmente on-line.
Os participantes se sentam lado a lado em grandes bancadas, cada um de olho no próprio monitor. A conversa, às vezes mesmo com o colega logo ao lado, é pelo Twitter.
Aos poucos, o site virou uma rede para a troca de informações. Onde estão os banheiros? Quando é que começa tal palestra? Onde estão vendendo refrigerante?
Internautas como Bruno Antunes (@quenerd), 19, aproveitam os textinhos para pedir ajuda. Ele tinha se esquecido de um cabo e perguntou se alguém tinha. Dez minutos depois, um desconhecido foi até ele para emprestar o equipamento.
"Lá fora, somos as ovelhas negras. Aqui, somos um rebanho, temos de nos ajudar."
Outro que tem usado o Twitter é o estudante Pedro Rangel (@PedroSMR), 24, que precisou de apoio para consertar um defeito no blog.
"Pedi auxílio e rapidinho apareceu um cara para me ajudar", conta. "Com milhares de pessoas acompanhando o evento pelo Twitter, é bem fácil conseguir apoio."
COMENTÁRIOS
Ontem à tarde, em apenas cinco minutos, 120 tuítes foram postados com a tag #cpbr4. O tópico estava entre os mais comentados no site.
Essa lista de solidariedade inclui outros participantes, como @PaulaRiker, que pediu ajuda para abrir um cadeado, e @laurabuu, que procurava o dono de uma câmera filmadora perdida.
O consultor de informática Daniel Martins (@Skulltrail_BR), 26, por sua vez, postava à procura de uma namorada. "Há muitas mulheres bonitas, e estou solteiro", diz. "Todo o nerd sonha em encontrar uma mulher que também curta PCs."
Os tuítes fazem piada sobre o clima bem pouco sexualizado. Uns falam que, se dependesse do público, lotes de camisinhas ficariam encalhados.
"Está todo o mundo isolado no seu mundinho", critica o publicitário Matheus Costa (@30s), 33. "Quero conversar, mas as pessoas mal olham na minha cara."



